O mal do sionismo

 


Em um Oriente Médio fustigado por décadas de conflitos, as ações militares de Israel contra palestinos, iranianos e, agora, libaneses, revelam uma indiferença brutal às dores infligidas.

Cidades devastadas, residências em ruínas, vidas ceifadas e famílias despedaçadas: eis o rastro deixado por Israel em Gaza, no sul do Líbano e em alvos iranianos. 

Segundo relatórios da ONU de 2024 e 2025, mais de 40 mil palestinos morreram em Gaza desde outubro de 2023, com 70% sendo mulheres e crianças, enquanto ataques recentes no Líbano já vitimaram milhares, incluindo civis em diversos vilarejos.

Israel justifica essa carnificina como "autodefesa" ou uma "guerra existencial", mas na verdade toda essa violência se fundamenta na narrativa sionista de uma "Grande Israel", uma visão expansionista que remete ao conceito bíblico de uma terra prometida do Nilo ao Eufrates, abrangendo territórios da Palestina, Líbano, Síria, Iraque e até partes do Egito.

Figuras como Bezalel Smotrich, ministro das Finanças israelense, defendem abertamente a anexação da Cisjordânia e a expansão de assentamentos, com mais de 700 mil colonos judeus já instalados em terras palestinas ocupadas. 

Essa colonização forçada, aliada a bombardeios implacáveis, evoca paralelos históricos perturbadores.

Convenham: em que isso difere do regime nazista ao invadir a Polônia em 1939, sob o argumento de proteger minorias étnicas alemãs e expandir o "espaço vital" ariano para o leste? Ambos os casos invocam pretensões étnicas e territoriais para justificar invasões, deslocamentos em massa e destruição sistemática. A diferença é que os nazistas foram derrotados, enquanto Israel sob o sionismo, com apoio ocidental, sobretudo do imperialismo estadunidense, persiste.

Não se trata de mera retórica: o regime sionista age como um tumor maligno no corpo do Oriente Médio, proliferando à custa de vizinhos. Gaza, reduzida a escombros com 80% de sua infraestrutura destruída, exemplifica o extermínio lento de uma população – fome induzida, bloqueios e ataques que a Anistia Internacional classifica como crimes contra a humanidade. 

No Líbano, o Hezbollah é o alvo oficial, mas civis pagam o preço, com hospitais e escolas bombardeados, ecoando táticas de guerra total.

Extirpar esse tumor, no entanto, não viria de intervenções externas, mas do povo israelense "moderado" – aqueles que rejeitam o extremismo de Netanyahu e clamam por paz. 

Sem uma guinada interna, o ciclo de violência perdurará, alimentando extremistas de todos os lados.

Lui França, abril de 2026


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