Sempre que os EUA se preparam para agredir um país, o padrão é invariável. Antes das explosões, surge a propaganda. Inicialmente, estigmatizam o regime como “ditatorial”. Em seguida, inventam relatos de carnificina em massa e, por último, propagam a agressão como operação humanitária.
A sociedade é condicionada como solo fértil para o assalto armado.
Essa dinâmica se repetiu no Iraque, com a mentira das armas de destruição em massa. No Afeganistão, usando a bandeira da emancipação feminina, devastaram a nação e fortaleceram o Talibã. Na Síria e Líbia, aniquilaram estruturas estatais, pavimentando o caminho para a desordem, grupos armados e escravidão humana. Na Venezuela, sufocaram a economia para forçar uma implosão doméstica. Agora, o Irã segue o mesmo script.
Não há qualquer afinidade com os líderes locais – isso é irrelevante para quem equipara dissenso político a permissão para intervenção externa. A visão é maniqueísta: todo governo desalinhado com Washington deve tombar, não importa o preço, incluindo, se o for o caso, a perda de milhares de vidas.
Por trás da retórica ética, esconde-se uma fachada. Nenhuma campanha bélica estadunidense implantou democracia, liberdade ou direitos humanos em parte alguma. O legado autêntico é sempre ruína, desintegração social e submissão financeira. A história contemporânea comprova isso para quem examina sem lentes partidárias.
As verdadeiras razões são econômicas e estratégicas: pilhagem de hidrocarbonetos, domínio de corredores vitais, embargos como instrumento bélico e preservação da supremacia planetária explicam bem mais que pregações sobre princípios eternos. Os direitos humanos funcionam como trunfo discursivo, ativado ou ignorado segundo a utilidade.
Sustentar a independência de uma nação não equivale a respaldar suas autoridades. Trata-se de rejeitar que uma superpotência dite, pela violência, o futuro de sociedades soberanas. Essa diferença elementar escapa a quem vê o imperialismo como inevitável.
O ciclo repetitivo expõe mais os entusiastas das ofensivas do que as vítimas. A cada crise, evidencia-se que o cerne não reside em autocracias, mas na intolerância a um ordenamento global multipolar.
Na essência, os EUA operam como uma ditadura. O povo não traça o curso nacional. Os rumos são ditados, bancados e manipulados pelos conglomerados da defesa armamentista, energia fóssil, finanças e gigantes tecnológicas. Eleições ocorrem, mas os parâmetros do tabuleiro são fixados com antecedência.
Nesse esquema, chefes de Estado gerenciam agendas corporativas, não vontades populares. George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump, Joe Biden e Bill Clinton somam, em suas gestões, incontáveis mortes.
Coletivamente, orquestraram ou prolongaram ataques, sublevações e intromissão em dezenas de nações: Iraque, Afeganistão, Iugoslávia, Líbia, Síria, Somália, Paquistão, Iêmen, Haiti, Panamá, Venezuela, etc etc. O desfecho palpável não trouxe democracia, liberdade ou direitos humanos – apenas colapso estatal, montanhas de cadáveres, migrações forçadas e territórios mergulhados no abismo.
Apoiam tiranias declaradas quando convém; difamam mandatários legítimos quando não. Direitos humanos servem como pretexto verbal, jogado fora após o êxito dos fins lucrativos.
Predomina uma engrenagem imperial que se reinventa, alterna figuras, varia lemas, mas preserva a essência da espoliação mundial. As cenas brutais revelam o que a narrativa oficial oculta: não são redentores globais, mas administradores da carnificina, do latrocínio e da mortandade em massa industrial.
Lui França, 01/2026
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